Olho Seco

Atualizado em: 29/06/2026.

Olho seco é uma condição muito comum que causa ardor, sensação de areia, vermelhidão e desconforto nos olhos. Tem tratamento e pode melhorar muito com acompanhamento adequado.

O que é olho seco?

O olho seco é uma das doenças oculares mais frequentes na prática oftalmológica. Sua prevalência aumenta com a idade e é mais comum em mulheres, especialmente após a menopausa. Além disso, o uso cada vez mais intenso de telas tem contribuído para o aumento dos sintomas em pessoas mais jovens.

O olho seco é uma condição em que a lágrima deixa de proteger os olhos da forma correta. Isso pode acontecer porque o olho produz pouca lágrima ou porque essa lágrima não funciona bem.

Gosto de explicar de forma simples: a lágrima não é composta apenas por água. Ela é formada por diferentes componentes que trabalham juntos para proteger a superfície dos olhos. Entre eles, estão uma camada de mucina, que ajuda a lágrima a se espalhar de forma uniforme sobre a superfície ocular, uma parte aquosa, responsável pela hidratação dos olhos, e uma camada de gordura, produzida pelas glândulas de Meibômio, que funciona como uma capa protetora e ajuda a diminuir a evaporação da lágrima.

Quando há alterações na produção ou na qualidade da lágrima, a superfície ocular fica menos protegida e podem surgir os sintomas do olho seco.

Por que o olho seco acontece?

Didaticamente, podemos dividir o olho seco em dois grandes tipos, lembrando que muitos pacientes apresentam uma combinação dos dois.

Olho seco por pouca produção de lágrima

Nesse tipo, o olho não produz lágrima suficiente para manter a superfície ocular saudável.

As causas mais comuns são:

  • Envelhecimento natural
  • Algumas doenças sistêmicas, principalmente doenças autoimunes, como a síndrome de Sjögren, artrite reumatoide e lúpus
  • Uso de certos medicamentos

Olho seco por evaporação excessiva da lágrima

Nesse tipo de olho seco, a quantidade de lágrima até pode ser normal, mas ela evapora rápido demais antes de conseguir proteger o olho adequadamente.

As causas mais frequentes incluem:

  • Blefarite e meibomite
  • Uso excessivo de telas, como celular, computador e tablet
  • Ambientes com ar-condicionado, vento ou ar muito seco
  • Maquiagem inadequada ou higiene insuficiente das pálpebras
  • Alterações da margem palpebral relacionadas à proliferação excessiva de bactérias ou à presença de ácaros, como o Demodex

Quem tem mais risco de desenvolver olho seco?

Algumas situações aumentam a chance de desenvolver olho seco:

  • Idade acima de 50 anos
  • Sexo feminino
  • Menopausa
  • Uso prolongado de telas
  • Uso de lentes de contato
  • Cirurgias oculares prévias
  • Doenças autoimunes
  • Ambientes com ar-condicionado frequente
  • Tabagismo

Quais são os sintomas mais comuns?

Os sintomas do olho seco variam bastante, e nem sempre a intensidade dos sintomas reflete a gravidade da doença.

Os mais comuns são:

  • Ardor ou queimação
  • Sensação de areia ou corpo estranho
  • Olhos vermelhos
  • Cansaço visual
  • Visão embaçada que melhora ao piscar
  • Sensibilidade à luz
  • Lacrimejamento reflexo

Uma situação que costuma causar bastante confusão é o lacrimejamento excessivo. Muitos pacientes chegam ao consultório dizendo: “Doutora, meus olhos lacrimejam o tempo todo, então não pode ser olho seco”. Na verdade, isso é bastante comum.

Quando a superfície ocular está irritada e desprotegida, o olho tenta se defender produzindo uma lágrima reflexa em maior quantidade. O problema é que essa lágrima é mais aquosa e não possui a mesma qualidade da lágrima normal, não conseguindo proteger adequadamente a superfície ocular. Por isso, é possível ter olho seco e, ao mesmo tempo, apresentar episódios frequentes de lacrimejamento.

Como é feita a avaliação do olho seco no consultório?

A avaliação do olho seco vai muito além de ouvir os sintomas. No consultório, observo cuidadosamente:

  • A superfície dos olhos
  • A quantidade e a qualidade da lágrima
  • A saúde das pálpebras e das glândulas de Meibômio

Sempre explico aos meus pacientes que o diagnóstico correto é uma das partes mais importantes do tratamento. Quando identificamos se a principal causa é baixa produção de lágrima, evaporação excessiva ou ambas, conseguimos direcionar o tratamento de forma muito mais eficaz.

Dependendo do caso, podem ser realizados testes específicos para avaliar a estabilidade da lágrima, a produção lacrimal, a integridade da superfície ocular e o funcionamento das glândulas de Meibômio. Esses exames ajudam a entender a principal causa do problema e permitem um tratamento mais direcionado.

Olho seco é um ciclo de inflamação

O olho seco funciona como um ciclo: a lágrima de má qualidade deixa o olho desprotegido, isso gera inflamação, e a inflamação piora ainda mais a qualidade da lágrima.

Se esse ciclo não for interrompido, os sintomas tendem a persistir ou piorar com o tempo. Por isso, o tratamento não busca apenas aliviar momentaneamente os sintomas, mas interromper esse processo.

Quando o olho seco merece uma investigação mais detalhada?

Embora o olho seco seja muito comum, alguns casos merecem avaliação mais aprofundada, especialmente quando os sintomas são intensos, surgem de forma repentina ou estão associados a boca seca, dores articulares, doenças reumatológicas ou inflamações oculares recorrentes.

Nessas situações, pode ser necessário investigar doenças sistêmicas associadas, como a síndrome de Sjögren e outras doenças autoimunes.

Principais tratamentos para olho seco

O tratamento do olho seco é sempre individualizado e depende da causa predominante e da gravidade do quadro em cada pessoa.

Costumo explicar aos meus pacientes que o tratamento funciona como uma escadinha. Existem diferentes níveis de olho seco, e quanto mais avançada for a doença, maior costuma ser a necessidade de associar diferentes tratamentos para controlar a inflamação, melhorar a qualidade da lágrima e aliviar os sintomas.

De forma geral, as opções de tratamento podem incluir:

  • Lágrimas artificiais, escolhidas de acordo com o tipo de olho seco
  • Colírios específicos para controle da inflamação da superfície ocular, quando indicados
  • Higiene adequada das pálpebras
  • Compressas mornas para melhorar o funcionamento das glândulas de Meibômio
  • Mudanças de hábitos, como pausas durante o uso de telas e atenção ao padrão de piscar
  • Mudanças na alimentação, que podem contribuir para a saúde da superfície ocular em alguns pacientes
  • Tratamentos orais específicos, quando necessários
  • Tecnologias voltadas para o tratamento das pálpebras e das glândulas de Meibômio, auxiliando no controle da inflamação e na melhora da qualidade da lágrima
  • Tratar infecções bacterianas ou por ácaros, quando necessário. 

Muitas vezes, a melhora mais significativa acontece justamente pela combinação de diferentes estratégias, e não por um único tratamento isolado.

Qual a relação do olho seco com blefarite e meibomite?

Essa relação é muito intensa e muito frequente. A blefarite e a meibomite estão entre as principais causas de olho seco evaporativo.

Quando as pálpebras e as glândulas de Meibômio não funcionam adequadamente, a qualidade da lágrima piora e os sintomas tendem a se intensificar.

Eu sempre explico aos meus pacientes que o cuidado com as pálpebras é uma parte fundamental do tratamento do olho seco.

Perguntas frequentes sobre olho seco (FAQs)

1. O que causa olho seco e por que meus olhos ardem tanto?

O olho seco acontece quando a lágrima não consegue proteger bem os olhos. Isso causa irritação, ardor e sensação de areia. As causas podem ser várias, como blefarite, uso de telas, alterações hormonais ou produção insuficiente de lágrima.

2. Olho seco tem cura ou vou ter isso para sempre?

O olho seco costuma ser uma condição crônica, mas isso não significa sofrimento constante. Com diagnóstico correto e tratamento adequado, é possível ter conforto e qualidade de vida.

3. Por que meus olhos lacrimejam se o diagnóstico é olho seco?

O lacrimejamento acontece porque o olho está irritado e tenta se defender. Essa lágrima é mais aguada e não consegue proteger adequadamente a superfície ocular.

4. Blefarite pode causar olho seco?

Sim. A blefarite está entre as causas mais comuns de olho seco evaporativo e, muitas vezes, precisa ser tratada em conjunto com o olho seco para que haja melhora dos sintomas.

5. Uso muito celular e computador. Isso pode causar olho seco?

Pode sim. Quando usamos telas por muito tempo, piscamos menos, e a lágrima evapora mais rapidamente. Pequenas pausas e alguns ajustes de hábito ajudam bastante.

6. Quais doenças podem causar olho seco?

Algumas doenças sistêmicas, especialmente autoimunes, podem estar associadas ao olho seco, como a síndrome de Sjögren, artrite reumatoide e lúpus.

7. Remédio pode causar olho seco?

Sim. Alguns medicamentos podem reduzir a produção de lágrima ou piorar os sintomas. Por isso, sempre avalio o uso de medicações durante a consulta.

8. Colírio comum de farmácia resolve olho seco?

Alguns colírios aliviam temporariamente os sintomas, mas nem sempre tratam a causa do problema. O ideal é utilizar colírios adequados para cada tipo de olho seco, com orientação médica. Lembrando que nem todo colírio exposto nas gôndolas das farmácias são lubrificantes. Sempre use colírios com indicação médica. 

9. Olho seco pode causar visão embaçada?

Pode sim. A lágrima faz parte da qualidade da visão. Quando ela está instável, a visão pode ficar embaçada e melhorar ao piscar.

10. Quando devo procurar um oftalmologista por causa de olho seco?

Sempre que houver ardor, sensação de areia, vermelhidão ou desconforto frequente. Você não precisa se acostumar com isso. Cuidar dos olhos é cuidar da sua qualidade de vida.

11. Quem usa lentes de contato pode ter mais olho seco?

Sim. As lentes de contato podem alterar a dinâmica da lágrima e aumentar a sensação de ressecamento em algumas pessoas. Quando existe olho seco associado, pode ser necessário ajustar o tipo de lente, o tempo de uso ou realizar tratamento específico para melhorar o conforto ocular.

Dra. Jaqueline Rezende

CRM: 175909/SP | RQE Nº: 81486 - OFTALMOLOGIA
Sou médica formada pela Universidade Estadual de Campinas. Especialista em Oftalmologia e fellowships em Plástica Ocular, Vias Lacrimais e Órbitas pelo HCFMUSP

Dra. Jaqueline Rezende

CRM: 175909/SP | RQE Nº: 81486 - OFTALMOLOGIA
Sou médica formada pela Universidade Estadual de Campinas. Especialista em Oftalmologia e fellowships em Plástica Ocular, Vias Lacrimais e Órbitas pelo HCFMUSP
Lattes