Lacrimejamento no adulto

Atualizado em: 26/06/2026.

Olhos lacrimejando o tempo todo não é normal. O lacrimejamento excessivo pode ter várias causas, desde irritações simples até alterações no canal de drenagem da lágrima, e o tratamento depende de uma avaliação cuidadosa.


Introdução

Recebo com muita frequência no consultório pacientes que dizem: “Doutora, meu olho vive lacrimejando” ou “a lágrima escorre pelo rosto mesmo sem eu estar chorando”. Embora muita gente ache que isso é algo simples ou normal da idade, o lacrimejamento excessivo merece atenção, porque pode indicar diferentes alterações nos olhos ou nas vias lacrimais.

Meu papel é entender a causa do problema e orientar o melhor tratamento para cada pessoa, sempre de forma individualizada.


O que é o lacrimejamento?

A lágrima tem uma função muito importante: lubrificar, proteger e nutrir os olhos. Depois de cumprir esse papel, ela é drenada por um sistema chamado vias lacrimais, que leva a lágrima do olho até o nariz. É por isso que, quando choramos, o nariz costuma escorrer.

O lacrimejamento acontece quando há:

  • produção excessiva de lágrima ou
  • dificuldade na drenagem dessa lágrima

Principais causas de lacrimejamento

O lacrimejamento pode ter várias origens, e entender a causa é fundamental para indicar o tratamento correto. De forma didática, gosto de explicar que ele pode acontecer por três grandes motivos: produção excessiva de lágrima, falha na drenagem ou alterações na anatomia das pálpebras.

As causas mais comuns são:

  • Obstrução do canal lacrimal: é uma das causas mais frequentes. A lágrima é produzida normalmente, mas encontra dificuldade para escoar até o nariz, fazendo com que transborde pelo olho.
  • Inflamações ou infecções das vias lacrimais (dacriocistite): quando a lágrima fica parada no canal lacrimal, bactérias podem se proliferar, levando a infecção, dor, inchaço e secreção.
  • Irritações oculares: olho seco, alergias, blefarite (inflamação das pálpebras) e exposição ao vento ou poluição podem estimular o olho a produzir mais lágrima como mecanismo de defesa.
  • Alterações na posição ou na flacidez das pálpebras: pálpebras muito flácidas, caídas ou viradas para fora podem prejudicar a chamada bomba lacrimal, que é o mecanismo natural responsável por ajudar a drenar a lágrima.
  • Alterações do ponto lacrimal: o pequeno orifício por onde a lágrima entra no canal pode estar estreitado ou mal posicionado.
  • Cirurgias ou traumas prévios na região dos olhos ou do nariz: podem alterar a anatomia das vias lacrimais.

Por isso, cada paciente precisa ser avaliado individualmente. Nem todo lacrimejamento tem a mesma causa — e nem o mesmo tratamento.


Quando a cirurgia é indicada?

Nem todo lacrimejamento precisa de cirurgia. Em muitos casos, o tratamento é clínico, com colírios, higiene das pálpebras ou controle de inflamações.

A cirurgia passa a ser considerada quando identificamos, por exemplo:

  • obstrução do canal lacrimal
  • infecções de repetição
  • falha dos tratamentos clínicos
  • alterações anatômicas das pálpebras ou das vias lacrimais

A indicação cirúrgica sempre é feita após exames específicos e uma avaliação detalhada.


Como é feita a cirurgia? 

A cirurgia para lacrimejamento depende diretamente da causa do problema. Por isso, não existe uma única técnica que sirva para todos os pacientes.

  • Quando a causa é obstrução do canal lacrimal, é importante saber que o canal pode estar entupido em locais diferentes do seu trajeto. Por isso, existem diferentes técnicas cirúrgicas para restabelecer a drenagem da lágrima. A técnica mais comum se chama dacriocistorrinostomia. Em alguns casos, utilizamos sondas de silicone temporárias para manter o canal aberto durante a cicatrização.
  • Quando o lacrimejamento está relacionado à flacidez ou má posição das pálpebras, o tratamento é feito com cirurgia palpebral, corrigindo a posição e melhorando o funcionamento da bomba lacrimal.
  • Em situações específicas, pode ser necessária a associação de mais de um procedimento.

Tudo é planejado de forma cuidadosa, respeitando a anatomia de cada paciente e priorizando segurança, conforto e bons resultados funcionais.


Como é o pós-operatório?

O pós-operatório costuma ser bem tolerado. Em geral, oriento:

  • uso de colírios ou medicamentos prescritos
  • cuidados com higiene local
  • evitar esforço físico por 15 dias. 
  • acompanhamento em consultas de revisão

É comum haver um leve inchaço ou desconforto nos primeiros dias, mas isso tende a melhorar progressivamente.


Dacriocistite: uma causa importante de lacrimejamento 

A dacriocistite é uma infecção do saco lacrimal, estrutura localizada entre o olho e o nariz, responsável por conduzir a lágrima para o interior do canal lacrimal. Ela geralmente acontece quando existe uma obstrução do canal lacrimal, fazendo com que a lágrima fique parada e favoreça a proliferação de bactérias.

Principais sintomas da dacriocistite

Os sintomas podem variar de leves a mais intensos e incluem:

  • inchaço e vermelhidão na região próxima ao nariz, no canto interno do olho. 
  • dor ou sensibilidade local
  • saída de secreção (que pode ser purulenta) pelo canto do olho, principalmente ao pressionar a região
  • lacrimejamento persistente
  • em alguns casos, febre ou mal-estar

Por que a avaliação médica é tão importante?

A dacriocistite pode se apresentar de forma leve ou evoluir para quadros mais graves. Em casos leves, muitas vezes conseguimos controlar a infecção com antibióticos via oral, sempre com acompanhamento médico.

No entanto, a infecção pode se tornar mais intensa e, em algumas situações, é necessário tratamento com antibióticos endovenosos (na veia) e acompanhamento mais rigoroso. Por isso, a avaliação médica precoce e precisa é fundamental para definir a melhor conduta e evitar complicações.

Tratamento da dacriocistite

O tratamento envolve duas etapas importantes:

  1. Controle da infecção, com antibióticos adequados
  2. Tratamento da causa, que geralmente é a obstrução do canal lacrimal

É importante reforçar que os antibióticos tratam a infecção naquele momento, mas não resolvem a obstrução. Por isso, após o controle do quadro infeccioso, muitas vezes indicamos tratamento cirúrgico para evitar novas crises.

Sinais de alerta (quando procurar ajuda rapidamente)

Alguns sinais merecem atenção especial:

  • dor intensa ou piora rápida do inchaço
  • febre
  • vermelhidão se espalhando pela face
  • saída abundante de secreção
  • piora da visão

Nessas situações, a avaliação oftalmológica deve ser feita o quanto antes.


Perguntas frequentes sobre lacrimejamento

1. Lacrimejamento excessivo é normal com a idade?
Não deve ser considerado normal. Com o envelhecimento, algumas alterações podem surgir, mas o lacrimejamento persistente sempre precisa ser avaliado.

2. Canal lacrimal entupido tem cura?
Na maioria dos casos, sim. Após identificar a causa, é possível indicar o tratamento mais adequado, que pode ser clínico ou cirúrgico.

3. Lacrimejamento pode virar infecção?
Pode. A lágrima parada favorece o surgimento de infecções, como a dacriocistite.

4. O que é dacriocistite?
É uma infecção do saco lacrimal, geralmente causada pela obstrução do canal lacrimal. Pode provocar dor, vermelhidão, inchaço próximo ao nariz e saída de secreção.

5. Dacriocistite é perigosa?
Se não tratada adequadamente, pode trazer complicações. Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoces são muito importantes.

6. Como é o tratamento da dacriocistite?
O tratamento pode envolver antibióticos para controlar a infecção e, em muitos casos, cirurgia para corrigir a causa da obstrução.

7. Lacrimejamento pode ser causado por olho seco?
Sim. Embora pareça contraditório, o olho seco pode estimular a produção reflexa de lágrima.

8. A cirurgia para lacrimejamento dói?
Os procedimentos são realizados com anestesia adequada. O pós-operatório costuma ter desconforto leve e controlável.

9. Depois da cirurgia a lágrima volta ao normal?
O objetivo do tratamento é justamente permitir que a lágrima volte a drenar corretamente, reduzindo ou eliminando o lacrimejamento.

10. Quando devo procurar um especialista?
Sempre que o lacrimejamento for frequente, persistente ou acompanhado de dor, secreção ou inchaço.


Finalizando

Se seus olhos vivem lacrimejando, saiba que você não precisa conviver com isso. Uma avaliação cuidadosa permite identificar a causa e definir o melhor tratamento.

Meu compromisso é cuidar dos seus olhos com atenção, clareza e respeito, sempre explicando cada etapa do processo.

Dra. Jaqueline Rezende

CRM: 175909/SP | RQE Nº: 81486 - OFTALMOLOGIA
Sou médica formada pela Universidade Estadual de Campinas. Especialista em Oftalmologia e fellowships em Plástica Ocular, Vias Lacrimais e Órbitas pelo HCFMUSP

Dra. Jaqueline Rezende

CRM: 175909/SP | RQE Nº: 81486 - OFTALMOLOGIA
Sou médica formada pela Universidade Estadual de Campinas. Especialista em Oftalmologia e fellowships em Plástica Ocular, Vias Lacrimais e Órbitas pelo HCFMUSP
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