Paralisia facial e lagoftalmo

Atualizado em: 26/06/2026.

A paralisia facial pode impedir o fechamento completo dos olhos, condição conhecida como lagoftalmo. Quando não tratada adequadamente, pode causar ressecamento ocular, feridas na córnea e até perda visual. Entenda os sintomas, os riscos e as opções de tratamento.

Paralisia facial e lagoftalmo: quando o olho não fecha completamente

A paralisia facial pode afetar diversos movimentos da face, incluindo a capacidade de fechar completamente os olhos. Quando isso acontece, chamamos essa condição de lagoftalmo.

O lagoftalmo pode parecer um problema simples à primeira vista, mas a incapacidade de proteger adequadamente a superfície ocular pode levar a complicações importantes, incluindo ressecamento intenso, úlceras de córnea e, em casos graves, comprometimento permanente da visão.

Por isso, a avaliação oftalmológica é fundamental sempre que houver dificuldade para fechar os olhos após uma paralisia facial.

O que é lagoftalmo?

Lagoftalmo é o termo utilizado para descrever o fechamento incompleto das pálpebras.

Em alguns pacientes, essa dificuldade é percebida apenas ao dormir. Em outros casos, o olho permanece parcialmente aberto durante todo o dia.

Quando as pálpebras não conseguem cobrir totalmente a córnea, a lágrima evapora mais rapidamente e a superfície ocular fica desprotegida.

Qual a relação entre paralisia facial e lagoftalmo?

O fechamento das pálpebras depende do funcionamento adequado do músculo orbicular dos olhos, que é controlado pelo nervo facial.

Quando ocorre uma paralisia facial, esse músculo perde força ou deixa de funcionar adequadamente, dificultando o fechamento ocular.

As causas mais comuns incluem:

  • Paralisia de Bell
  • Infecções virais
  • Traumas
  • Tumores
  • Cirurgias neurológicas
  • Acidente vascular cerebral (AVC)
  • Doenças neurológicas

A gravidade do lagoftalmo costuma variar conforme o grau da paralisia facial.

Quais sintomas podem ocorrer?

Os sintomas mais frequentes incluem:

  • Dificuldade para fechar o olho
  • Sensação de areia ou corpo estranho
  • Ardor ocular
  • Vermelhidão
  • Lacrimejamento excessivo
  • Visão embaçada
  • Sensibilidade à luz
  • Desconforto ao acordar

Muitos pacientes relatam que familiares percebem que eles dormem com o olho parcialmente aberto.

Quais são os riscos para a visão?

A principal preocupação é a exposição excessiva da córnea.

Sem a proteção adequada das pálpebras, podem ocorrer:

  • Ceratite por exposição
  • Erosões da córnea
  • Úlceras corneanas
  • Infecções oculares
  • Cicatrizes corneanas
  • Redução permanente da visão

Quanto maior o lagoftalmo e menor a produção lacrimal do paciente, maior tende a ser o risco de complicações.

Como é feito o diagnóstico?

Durante a consulta, avalio:

  • O grau da paralisia facial
  • A capacidade de fechamento das pálpebras
  • A posição da pálpebra inferior
  • A qualidade da lágrima
  • A presença de lesões na córnea

Além disso, examino cuidadosamente a superfície ocular para identificar sinais precoces de exposição e ressecamento.

O que é ectrópio paralítico?

Além da dificuldade para fechar os olhos, alguns pacientes desenvolvem ectrópio paralítico, uma condição em que a pálpebra inferior se afasta do globo ocular.

Quando isso acontece, o olho fica ainda mais exposto, favorecendo ressecamento, irritação, lacrimejamento e desconforto ocular.

Durante a avaliação, verifico se existe ectrópio associado, pois seu tratamento pode ser fundamental para melhorar a proteção da córnea e a qualidade de vida do paciente.

Como é o tratamento do lagoftalmo?

O tratamento depende da causa, da gravidade da paralisia facial e do estado da córnea.

O principal objetivo é proteger a superfície ocular enquanto ocorre a recuperação neurológica ou quando a paralisia se torna permanente.

Lubrificação ocular

O uso frequente de colírios lubrificantes e pomadas oftálmicas costuma ser uma das primeiras medidas adotadas.

Esses produtos ajudam a reduzir o ressecamento e protegem a córnea.

Oclusão noturna

Em alguns casos, pode ser necessário utilizar fitas específicas ou câmaras de umidade durante o sono para evitar a exposição ocular noturna.

Cirurgias palpebrais

Quando existe flacidez da pálpebra inferior, ectrópio paralítico, retração palpebral ou lagoftalmo persistente, posso indicar procedimentos cirúrgicos para melhorar a proteção ocular.

Dependendo do caso, podem ser realizados procedimentos para reposicionar e dar sustentação à pálpebra inferior ou, em situações específicas, técnicas para reduzir a exposição corneana.

A escolha da técnica depende das características de cada paciente e do grau de comprometimento funcional.

A paralisia facial pode melhorar?

Sim.

Alguns pacientes apresentam recuperação completa, enquanto outros permanecem com sequelas parciais ou permanentes.

Mesmo quando a recuperação neurológica não é total, existem tratamentos capazes de proteger a visão e melhorar significativamente o conforto ocular.

Qual especialista deve acompanhar esses pacientes?

O oftalmologista com atuação em plástica ocular e doenças das pálpebras desempenha papel fundamental no acompanhamento dos pacientes com paralisia facial.

Além de monitorar a saúde da córnea, avalio a necessidade de tratamentos clínicos ou cirúrgicos para preservar a visão e melhorar a função palpebral.

Perguntas frequentes sobre paralisia facial e lagoftalmo(FAQs)

1. O que é lagoftalmo?

É a incapacidade de fechar completamente os olhos.

2. Dormir com o olho aberto é normal?

Não. Dormir com o olho parcialmente aberto pode indicar lagoftalmo e aumentar o risco de ressecamento e lesões da córnea.

3. Toda paralisia facial causa lagoftalmo?

Não. A ocorrência e a intensidade do lagoftalmo dependem do grau de comprometimento do nervo facial.

4. O lagoftalmo pode causar perda de visão?

Sim. Quando não tratado adequadamente, pode levar a lesões graves da córnea e comprometimento visual.

5. O olho lacrimejando pode ser sinal de ressecamento?

Sim. Muitos pacientes apresentam lacrimejamento reflexo justamente porque a superfície ocular está ressecada e irritada.

6. O uso de colírios resolve o problema?

Os colírios ajudam a proteger a córnea, mas nem sempre são suficientes. Alguns pacientes necessitam de procedimentos adicionais.

7. O que é ectrópio paralítico?

É o afastamento da pálpebra inferior em decorrência da paralisia facial. Essa alteração aumenta a exposição ocular e pode agravar os sintomas de ressecamento e irritação.

8. Quando a cirurgia é necessária?

Quando há risco para a córnea, lagoftalmo persistente ou alterações palpebrais que comprometem a proteção ocular.

9. A paralisia facial sempre deixa sequelas?

Não. Muitos pacientes apresentam recuperação parcial ou completa, especialmente quando a causa é transitória.

10. Quando devo procurar um especialista?

Sempre que houver dificuldade para fechar os olhos, ressecamento importante ou sintomas oculares após uma paralisia facial.

Dra. Jaqueline Rezende

CRM: 175909/SP | RQE Nº: 81486 - OFTALMOLOGIA
Sou médica formada pela Universidade Estadual de Campinas. Especialista em Oftalmologia e fellowships em Plástica Ocular, Vias Lacrimais e Órbitas pelo HCFMUSP

Dra. Jaqueline Rezende

CRM: 175909/SP | RQE Nº: 81486 - OFTALMOLOGIA
Sou médica formada pela Universidade Estadual de Campinas. Especialista em Oftalmologia e fellowships em Plástica Ocular, Vias Lacrimais e Órbitas pelo HCFMUSP
Lattes